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Cidade Negra prepara disco de inéditas: ‘Estamos gravando tudo de uma vez’

A vida pode ser sensacional’. É com esse grito de guerra que o Cidade Negra retorna a ativa, após um hiato de quase quatro anos longe dos palcos. Provando que ainda tem muita positividade para compartilhar com seu público, a banda, formada por Toni Garrido, Bino Farias e Lazão, em meados dos anos 80, além de estar preparando o seu mais novo trabalho que será lançado em breve, o trio dá o pontapé inicial na turnê “Cidade Pelo Mundo 2019” e apresenta quatro canções inéditas. Entre elas, o hit “Sensacional“.
“Existe um álbum pronto para ser executado. A gente está entendendo como funcionam esses novos formatos. Não temos nada concretizado com uma gravadora, então, vamos lançando uma música de cada vez. Estamos em estúdio gravando tudo de uma vez”, adianta Toni Garrido, vocalista do Cidade Negra.
Os novos sucessos, entretanto, não destoam da celebrada discografia da banda, já que, mais uma vez, os cariocas apostam numa sonoridade de amor e esperança em meio ao caos. Pelo menos é o que destaca Lazão, baterista do grupo. “É o momento exato. São nessas horas que as pessoas precisam de uma palavra de incentivo. Apesar de anos e anos a gente acompanhar o pobre ser massacrado nas favelas, o pai de família ser assassinado, é preciso trazer um tempero para esse panelão. E essa é a nossa missão”, diz.
Nos anos 90 a banda consolidou sua reputação com um som mais diversificado, misturando o reggae ao pop, sem perder as raízes do gênero jamaicano, ao mesmo tempo em que falava de amor e de problemas sócio-culturais e filosóficos. Essência que Toni Garrido trás em seu DNA. Atento aos acontecimentos da cidade, o cantor lamentou morte de Evaldo da Silva, morto com 80 tiros em uma ação Militar, no domingo, em Guadalupe, na Zona Norte.
“É assustador, uma batalha diária. Os 80 tiros no rapaz… Estão de sacanagem! Eles estão a fim de mostrar abuso de poder. Como acreditar num futuro quando você é questionado nas redes sociais com o seguinte comentário: ‘os afros são muito dramáticos. Somos todos iguais. Parem com esse complexo de inferioridade’. Não há discussão”, afirma o cantor, em tom de revolta. “Eu acredito que nesse momento conturbado político tem que haver um impacto positivo, com mudanças radicais e limpar a velha política. Eu quero ver a favela virar um lugar bonito. Esse é meu sonho e eu acredito no futuro deste país”, conclui Lazão.
Referência no reggae music brasileiro, o Cidade Negra nasceu no bairro de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, em 1984, num cenário em que o rock dominava as paradas de sucesso. Mas não demorou muito para que os garotos ganhassem os palcos mais requisitados da Zona Sul. Tanto que em 1987 o grupo consolidou seu nome entre as maiores bandas da época no palco do Circo Voador. “É o berço da música no Rio. Não há um artista satisfeito se não passar pelo Circo. É o palco mais importante da música. É um prazer estar lá. Tocar lá. Foi onde o Cidade Negra saiu para o mundo”, lembra Bino Farias, baixista da banda. A mesma emoção será relembrada pelos músicas no show de logo mais. “Todo artista sonha em tocar no Circo Voador. O pessoal de fora que não passou por lá no início, teve que tocar um dia. É como se fosse o carimbo do sucesso. Para gente é o start. Mas todo artista precisa passar por isso”, diz Toni.
E esse retorno se deve muito ao empenho dos fãs do Cidade Negra. “Depois de 30 anos de carreira a gente ver os fãs pedindo shows, novas músicas, é sensacional. A gente está voltando mesmo. A gente volta girando pelo mundo, com mídia, buscando gravadora e dando continuidade ao nosso legado”, comemora Lazão. Mas nem tudo é como antes. Em um mundo midiático cada vez mais veloz, Toni reconhece que o grupo ainda está entendendo como se adequar às exigências da modernidade. “De fato, a gente nunca parou. A gente perdeu um pouco da pressa com o áudio visual. Nós últimos dez anos nós fizemos pouco videoclipe. A tua exposição, hoje, é igual ao tamanha da tua carreira. Existem artistas que não têm tanto tempo de carreira, mas a superexposição o supervaloriza. A gente sabia disso, estamos nos adaptando”, reflete o cantor.
Ao mesmo tempo que dá um novo gás aos trabalhos do Cidade Negra, Toni Garrido divide os holofotes com a cantora Iza na apresentação do programa “SóTocaTop”, da Globo. “É uma oportunidade legal. É um workshop em grande estilo. Apresentar está sendo diferente de tudo o que eu tinha feito. Foi maravilhoso conhecer a Iza, uma grande menina em um momento lindo de sua carreira. Ela é talentosíssima. É profissional para caramba. Lá, o meu trabalho é estender o tapete vermelho aos meus colegas, isso é delicioso”, pontua o artista, que vê a presença dos dois como mais uma conquista dos negros. “Eu estou do lado da Iza. É a primeira vez que um casal de negros apresenta um programa de TV em horário nobre. Eu recebo comentários das pessoas falando: ‘eu vivi para ver isso’. É incrível”, comenta Toni. “A cota foi além do esperado”, ironiza Bino, aos risos.

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