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Morre Charles Aznavour, o Frank Sinatra da França

Morreu nesta segunda-feira 1º o cantor francês Charles Aznavour, o último dos grandes nomes da canção francesa do século XX. Ele faleceu na madrugada aos 94 anos de idade, em sua casa em Alpilles, no sul do país.

A lenda da música francesa voltava de uma turnê no Japão e foi forçado a cancelar shows por ter quebrado um braço depois uma queda. Aznavour, de origem armênia, vendeu mais de 100 milhões de discos ao longo de sete décadas de uma carreira excepcional

Shanourh Varenagh Aznavourian nasceu em 1924 em Paris. Filho de imigrantes armênios, sua mãe era atriz e seu pai, barítono. Durante anos ele forma um duo com o pianista Pierre Roche, mas também escreve letras para Edith Piaf, que o levou para os EUA e os Canadá, onde fazem sucesso.

Com o fim da dupla, ele se torna secretário, pianista e confidente de Piaf, que o ajuda a voltar para a cena. Sua carreira decolará depois de alguns anos.

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Apelidado de “Frank Sinatra da França”, ele alcançou fama mundial. “La Bohème”, “La Mamma” e “Emmenez-moi” estão entre as canções mais notáveis de um repertório nostálgico, apreciado em todo o mundo. Como ator, participou de cerca de 80 filmes. O cantor é muito lembrado como o intérprete de “She”, a canção tema do filme “Um lugar chamado Nottingh Hill”, estrelado por Julia Roberts. Em 2016, aos 92 anos, ele esteve no Brasil para uma turnê, onde fez shows no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Em setenta anos de carreira, o cantor compôs cerca de mil canções, cantava em cinco idiomas e vendeu mais de cem milhões de discos, além de ter participado de mais de 60 filmes. Suas temáticas preferidas eram o amor e as crises de casal, as amizades, a vida boêmia, a solidão e os sonhos de seres vulneráveis.

Sua voz se transformou em um verdadeiro símbolo popular, mas ele atravessou muitas dificuldades durante sua carreira. “Quais são meus defeitos? Minha voz, minha altura, meus gestos, minha falta de cultura e de instrução, minha franqueza ou minha falta de personalidade”?, questionava ele no início dos anos 1950, quando foi alvo das críticas especializadas e do público. Aznavour estava convencido, entretanto, de que poderia conquistar os palcos na França e no exterior.

Em 2009, em entrevista ao jornal Libération, declarou ter aprendido “muito com os americanos”, principalmente a se descontrair. “Para mim, que viajo muito, o jazz e o rock não eram apenas uma curiosidade, mas me pareciam natural”. Em suas memórias, ele escreve que “seis mil nova-iorquinos a seus pés, gritando, e batendo as mãos, era uma “sensação única para um homem destinado ao fracasso”.

As canções de Aznavour foram regravadas por Bing Crosby, Ray Charles ou Bob Dylan. O ex-confidente de  também foi mentor de Liza Minelli. Ele gravou com Frank Sinatra e influenciou até mesmo David Bowie.

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